Subjetividade e trabalho humano no cinema

Autores

Lucas Eurikes Melo Vasconcelos, Universidade Federal da Paraíba; Anísio Jose da Silva Araújo, Universidade Federal da Paraíba; Joana Dar'k Costa, Universidade Federal da Paraíba; Brunno Alves de Lucena, Universidade Federal da Paraíba; Danielly Scalone Maciel, Universidade Federal da Paraíba; Edizangela De Fatima Cruz de Souza, Universidade Federal da Paraíba; Elaine Milena Alves Genuino, Universidade Federal da Paraíba; Emily Laísla Torres de Farias, Universidade Federal da Paraíba; Felipe Almondes Silva, Universidade Federal da Paraíba; Gabriela Ramos de Barros, Universidade Federal da Paraíba; Jayane Evellen De Fatima Cruz De Souza, Universidade Federal da Paraíba; Joana Dar'k Costa, Universidade Federal da Paraíba; Anísio Jose da Silva Araújo, Universidade Federal da Paraíba; Lucas Eurikes Melo Vasconcelos, Universidade Federal da Paraíba; Mirella Darc De Melo Cahu Arcoverde de Souza, Universidade Federal da Paraíba; Raisa Fernandes Mariz Simões, Universidade Federal da Paraíba; Séfora Lima de Figueiredo, Universidade Federal da Paraíba; Silnara Araújo Galdino, Universidade Federal da Paraíba; Valeria Silva Carvalho, Universidade Federal da Paraíba

Palavras-chave:

Subjetividade, Trabalho, Clínicas do trabalho

Sinopse

Esta coletânea promove um diálogo interdisciplinar e sensível entre o cinema e as Clínicas do Trabalho, tomando o recurso cinematográfico como dispositivo analítico capaz de desvelar as complexidades do cenário laboral contemporâneo. O eixo norteador da obra reside na investigação da atividade, evidenciando como o trabalho se configura como mediador central da identidade, da preservação da saúde mental e da constituição da subjetividade.

A publicação ancora-se em referenciais das Clínicas do Trabalho, articulados à pedagogia crítica e à psicologia histórico-cultural, compondo um horizonte teórico-metodológico que possibilita analisar o encontro, atravessado por tensões e conflitos, entre o sujeito e o real do trabalho.

A obra está ancorada em torno de conceitos fundamentais, como o hiato inevitável entre o trabalho prescrito e o trabalho real, evidenciando a insuficiência de normas e protocolos institucionais para antecipar a totalidade das situações que emergem no cotidiano laboral. Os(as) autores(as) analisam como essa defasagem convoca o(a) trabalhador(a) a mobilizar sua inteligência prática e se engajar subjetivamente a fim de tornar o trabalho possível e responder às lacunas impostas pelo real.

Tais processos, longe de serem neutros, podem desdobrar-se tanto em vivências de prazer e realização quanto em trajetórias marcadas pelo sofrimento e pelo adoecimento. Nesse horizonte, a coletânea aprofunda a análise do destino do sofrimento e das dinâmicas de reconhecimento, dimensões decisivas para a atribuição de sentido ao trabalho, na medida em que permitem ressignificar angústias, transformando o sofrimento em vivências potencialmente prazerosas. Além disso, debruça-se sobre o sofrimento ético e as estratégias de defesa mobilizadas pelos sujeitos, analisando como são construídos os mecanismos de defesas individuais e coletivas para lidar com contextos laborais adversos.

Os capítulos percorrem cenários heterogêneos, que vão do ambiente prisional às formas contemporâneas de precarização estrutural no setor de serviços, evidenciando como, nesses contextos, o asfixiamento da subjetividade e a divisão sexual do trabalho produzem elevados custos psíquicos e aprofundam desigualdades já historicamente constituídas. No âmbito educacional, a docência é retratada como atividade viva e complexa, na qual o professor se confronta com a fragilização dos vínculos coletivos em contextos marcados por gestões neoliberais, encontrando na arte e no acolhimento das singularidades discentes brechas para a resistência e a reinvenção do fazer pedagógico. A coletânea amplia, ainda, seu horizonte analítico ao abordar os efeitos da desterritorialização capitalista, processo pelo qual a supressão de espaços geográficos implica o apagamento de memórias coletivas e a fragmentação de referenciais identitários fundamentais à constituição do sujeito.

Em última análise, as narrativas aqui reunidas reafirmam a centralidade do trabalho na afirmação da dignidade e na construção da inserção social. Ao articular a hermenêutica cinematográfica às teorias do trabalho, a obra evidencia que a saúde mental no contexto laboral não se reduz a um fenômeno estritamente individual, mas se configura como construção relacional, dependente de espaços de cooperação, reconhecimento e da possibilidade de elaborar o sofrimento, transformando-o em potência criadora.

 Este livro propõe, assim, uma reflexão crítica sobre a urgente necessidade de transformar as formas de organização do trabalho contemporâneas, para que não mais se constituam como vetores de adoecimento e passem a afirmar-se como espaço de produção de vida, de reconhecimento e de emancipação humana.

 

Capítulos

  • Intensificação, precarização e resistência no trabalho em saúde no sus: uma análise fílmica da série Sob pressão
    Brunno Alves de Lucena
  • Trabalho e saúde mental a partir do filme Si púo fare (dá para fazer)
    Danielly Scalone Maciel
  • Análise da série uma advogada extraordinária sob a perspectiva da psicologia do trabalho
    Edizangela De Fatima Cruz de Souza
  • Da mulher da casa abandonada à mulher mantida no porão: uma análise a partir da psicodinâmica do trabalho
    Elaine Milena Alves Genuino
  • Divisão sexual do trabalho, trabalho do cuidado e a invisibilização feminina: um debate a partir do filme A vida invisível
    Emily Laísla Torres de Farias
  • Relações entre trabalho, ondas e homofobia: considerações sobre o filme Corpo elétrico
    Felipe Almondes Silva
  • Uma análise do filme Aloners à luz da psicodinâmica do trabalho
    Gabriela Ramos de Barros
  • O trabalho que sustenta, mas não conta: gênero e a desvalorização do cuidado em Dra. Cha
    Jayane Evellen De Fatima Cruz De Souza
  • O trabalho docente em cena: uma análise psicodinâmica do filme O bom professor
    Joana Dar'k Costa, Anísio Jose da Silva Araújo
  • O trabalho como palco: sentidos, significados e reconhecimentos a partir do documentário Convergência: coragem em tempos de crise
    Lucas Eurikes Melo Vasconcelos
  • Subjetividade, precarização e sofrimento no trabalho de comissárias de bordo: uma análise psicossocial do filme Bem-vindo a bordo
    Mirella Darc De Melo Cahu Arcoverde de Souza
  • Sentido do trabalho docente, arte e singularidade: um diálogo entre vigotski, paulo freire e a psicologia social do trabalho à luz do filme Como estrelas na terra
    Raisa Fernandes Mariz Simões
  • A escola viva: apontamentos sobre o filme a sala dos professores à luz da psicodinâmica do trabalho
    Séfora Lima de Figueiredo
  • Trabalho, sofrimento, defesa e reconhecimento: o trabalho prisional em A gente
    Silnara Araújo Galdino
  • Memória, território e identidade em Narradores de Javé: contribuições da psicologia para compreender os impactos psicossociais da desterritorialização
    Valeria Silva Carvalho

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Publicado

outubro 7, 2026

Detalhes sobre essa publicação

ISBN-13 (15)

978-65-5942-342-2