Subjetividade e trabalho humano no cinema
Palavras-chave:
Subjetividade, Trabalho, Clínicas do trabalhoSinopse
Esta coletânea promove um diálogo interdisciplinar e sensível entre o cinema e as Clínicas do Trabalho, tomando o recurso cinematográfico como dispositivo analítico capaz de desvelar as complexidades do cenário laboral contemporâneo. O eixo norteador da obra reside na investigação da atividade, evidenciando como o trabalho se configura como mediador central da identidade, da preservação da saúde mental e da constituição da subjetividade.
A publicação ancora-se em referenciais das Clínicas do Trabalho, articulados à pedagogia crítica e à psicologia histórico-cultural, compondo um horizonte teórico-metodológico que possibilita analisar o encontro, atravessado por tensões e conflitos, entre o sujeito e o real do trabalho.
A obra está ancorada em torno de conceitos fundamentais, como o hiato inevitável entre o trabalho prescrito e o trabalho real, evidenciando a insuficiência de normas e protocolos institucionais para antecipar a totalidade das situações que emergem no cotidiano laboral. Os(as) autores(as) analisam como essa defasagem convoca o(a) trabalhador(a) a mobilizar sua inteligência prática e se engajar subjetivamente a fim de tornar o trabalho possível e responder às lacunas impostas pelo real.
Tais processos, longe de serem neutros, podem desdobrar-se tanto em vivências de prazer e realização quanto em trajetórias marcadas pelo sofrimento e pelo adoecimento. Nesse horizonte, a coletânea aprofunda a análise do destino do sofrimento e das dinâmicas de reconhecimento, dimensões decisivas para a atribuição de sentido ao trabalho, na medida em que permitem ressignificar angústias, transformando o sofrimento em vivências potencialmente prazerosas. Além disso, debruça-se sobre o sofrimento ético e as estratégias de defesa mobilizadas pelos sujeitos, analisando como são construídos os mecanismos de defesas individuais e coletivas para lidar com contextos laborais adversos.
Os capítulos percorrem cenários heterogêneos, que vão do ambiente prisional às formas contemporâneas de precarização estrutural no setor de serviços, evidenciando como, nesses contextos, o asfixiamento da subjetividade e a divisão sexual do trabalho produzem elevados custos psíquicos e aprofundam desigualdades já historicamente constituídas. No âmbito educacional, a docência é retratada como atividade viva e complexa, na qual o professor se confronta com a fragilização dos vínculos coletivos em contextos marcados por gestões neoliberais, encontrando na arte e no acolhimento das singularidades discentes brechas para a resistência e a reinvenção do fazer pedagógico. A coletânea amplia, ainda, seu horizonte analítico ao abordar os efeitos da desterritorialização capitalista, processo pelo qual a supressão de espaços geográficos implica o apagamento de memórias coletivas e a fragmentação de referenciais identitários fundamentais à constituição do sujeito.
Em última análise, as narrativas aqui reunidas reafirmam a centralidade do trabalho na afirmação da dignidade e na construção da inserção social. Ao articular a hermenêutica cinematográfica às teorias do trabalho, a obra evidencia que a saúde mental no contexto laboral não se reduz a um fenômeno estritamente individual, mas se configura como construção relacional, dependente de espaços de cooperação, reconhecimento e da possibilidade de elaborar o sofrimento, transformando-o em potência criadora.
Este livro propõe, assim, uma reflexão crítica sobre a urgente necessidade de transformar as formas de organização do trabalho contemporâneas, para que não mais se constituam como vetores de adoecimento e passem a afirmar-se como espaço de produção de vida, de reconhecimento e de emancipação humana.
Capítulos
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Intensificação, precarização e resistência no trabalho em saúde no sus: uma análise fílmica da série Sob pressão
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Trabalho e saúde mental a partir do filme Si púo fare (dá para fazer)
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Análise da série uma advogada extraordinária sob a perspectiva da psicologia do trabalho
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Da mulher da casa abandonada à mulher mantida no porão: uma análise a partir da psicodinâmica do trabalho
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Divisão sexual do trabalho, trabalho do cuidado e a invisibilização feminina: um debate a partir do filme A vida invisível
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Relações entre trabalho, ondas e homofobia: considerações sobre o filme Corpo elétrico
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Uma análise do filme Aloners à luz da psicodinâmica do trabalho
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O trabalho que sustenta, mas não conta: gênero e a desvalorização do cuidado em Dra. Cha
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O trabalho docente em cena: uma análise psicodinâmica do filme O bom professor
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O trabalho como palco: sentidos, significados e reconhecimentos a partir do documentário Convergência: coragem em tempos de crise
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Subjetividade, precarização e sofrimento no trabalho de comissárias de bordo: uma análise psicossocial do filme Bem-vindo a bordo
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Sentido do trabalho docente, arte e singularidade: um diálogo entre vigotski, paulo freire e a psicologia social do trabalho à luz do filme Como estrelas na terra
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A escola viva: apontamentos sobre o filme a sala dos professores à luz da psicodinâmica do trabalho
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Trabalho, sofrimento, defesa e reconhecimento: o trabalho prisional em A gente
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Memória, território e identidade em Narradores de Javé: contribuições da psicologia para compreender os impactos psicossociais da desterritorialização
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